
Porto Velho, RO - Os bastidores da política em Porto Velho estão vivendo uma nova realidade. Antigamente a pressão vinha dos grandes sites, dos jornais tradicionais e das rádios. Hoje ela cabe na palma da mão, dentro de um celular, em dezenas de páginas de Instagram, perfis de “notícia”, blogs digitais e grupos organizados de influência.
O relato de vereadores é praticamente o mesmo: o assédio virou diário.Não se trata apenas de cobertura política. Muitos descrevem uma verdadeira peregrinação de páginas buscando “parceria”, “apoio”, “fortalecimento” ou “collab”. O valor individual, muitas vezes entre R$ 300 e R$ 500, parece pequeno isoladamente. O problema é a quantidade.
São dezenas de pedidos.
E aí nasce o drama silencioso dentro da Câmara Municipal de Porto Velho.
Segundo relatos reservados de parlamentares, o ambiente mudou completamente. Muitos dizem que já evitam circular nos corredores antes das sessões porque o assédio se tornou constante. Alguns preferem permanecer nas salas atrás do plenário e só entram no momento da sessão começar, justamente para evitar o contato direto com os chamados “jornalistas blogueiros”.
O clima, segundo vereadores, é de pressão permanente.
Porque existe um medo coletivo:
se atender uma página e negar outra, começam os ataques.
E esses ataques, segundo relatos políticos, acontecem de forma coordenada:
-vídeos;
-cortes;
-memes;
-críticas em sequência;
-comentários impulsionados;
-e publicações simultâneas.
Nos bastidores, vereadores comentam até sobre a existência de grupos organizados de páginas, como um suposto grupo apelidado de “Nova Geração”, onde combinariam pautas, críticas e ações conjuntas contra parlamentares.
A lógica mudou.
Antes:
o político temia a manchete do grande portal.
Hoje:
teme o corte viral de 30 segundos.
O Instagram transformou pequenos perfis em microcentrais de pressão política.
E o mecanismo da “collab” aumentou ainda mais esse poder.
A ferramenta permite que vários perfis apareçam como coautores da mesma postagem. Resultado:
o alcance explode;
os públicos se somam;
os ataques ganham volume;
e a sensação para o político é de cerco digital.
Um único vídeo pode aparecer simultaneamente em:
5 páginas;
10 páginas;
ou dezenas de perfis.
Curtidas, comentários e visualizações ficam concentrados no mesmo conteúdo, aumentando artificialmente a sensação de repercussão gigantesca.
Nos corredores da política municipal, muitos vereadores já enxergam isso como um novo modelo de pressão informal.
E o efeito prático aparece até nas sessões.
Há parlamentares que admitem reservar parte do dia apenas para administrar relacionamento com páginas digitais:
respondendo mensagens;
evitando desgaste;
negociando exposição;
ou tentando impedir ataques.
Enquanto isso, a atividade parlamentar acaba ficando em segundo plano.
A política de antigamente tinha o corpo a corpo na praça.
A política de hoje tem o cerco permanente das notificações.
E no meio desse novo ambiente digital, muitos vereadores vivem a sensação de que estão menos dentro de um mandato… e mais dentro de uma vitrine sob vigilância constante.
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