Temer coloca Forças Armadas nas ruas de Brasília

Parlamentares e ministros comentaram nesta quarta-feira (24) a decisão do presidente Michel Temer, que editou decreto para “garantia da lei e da ordem” e permitiu que tropas federais atuem na segurança da Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

O decreto de Temer foi anunciado pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann (veja no vídeo acima) e publicado em uma edição extra do “Diário Oficial da União” e prevê o emprego das Forças Armadas no Distrito Federal entre 24 e 31 de maio.

O presidente assinou o decreto após confrontos entre polícia e manifestantes e prédios depredados na Esplanada dos Ministérios durante manifestação contra o governo. A decisão foi criticada por deputados e senadores de oposição e até mesmo da base aliada de Temer. O decreto também repercutiu no Supremo Tribunal Federal.

Temer aciona Forças Armadas para reforçar segurança no DF, após ataques a ministérios

Repercussão

  • Carlos Zarattini (PT-SP), líder do partido na Câmara – “Se o Exército, a Marinha ou a Aeronáutica de novo interferirem na vida da nação, será um caminho que nós podemos ficar muitos anos sofrendo. Temos que parar para discutir e refletir e o Congresso se posicionar em defesa da democracia, da soberania nacional e em defesa do povo brasileiro.”
  • Lasier Martins (PSD-RS), senador – “Esse negócio de colocar o Exército na rua não é novidade. Em 2013, a então presidente Dilma Rousseff colocou o Exército nas ruas do Rio de Janeiro para proteger o leilão da libra porque o risco de desordem era muito grande. Não está falando aqui um defensor do Temer, que sabemos todos: está caindo. Está falando alguém aqui que quer a ordem em Brasília. Brasília está vivendo uma tarde de Venezuela. Brasília está debaixo de quebra-quebra e nós aqui discutindo formalismos. Isso está errado […]. A Polícia Militar de Brasília não deu conta da bagunça que estava virando a capital federal. Por isso, a polícia pediu ajuda e essa ajuda, esse socorro é que está sendo dado. Eu concordo que o Exército na rua tem uma simbologia, lembra a ditadura, mas não é o caso de hoje. A presença do Exército é para proteger.”
  • Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal – “Voto um pouco preocupado com o contexto, e espero que a notícia não seja verdadeira. O chefe do Poder Executivo teria editado decreto autorizando uso das Forças Armadas no Distrito Federal no período de 24 a 31 de maio.”
  • Otto Alencar (PSD-BA), senador – “Esse decreto vem em uma hora totalmente inapropriada de alguém que perdeu completamente o sentido de governar. Eu conheço as Forças Armadas, todos são homens decentes. No Exército, todos são decentes, e tem compromisso com a pátria. O que eu peço às Forças Armadas é a moderação e a tranquilidade para não ter a mesma fraqueza que o ministro da Defesa teve em continuar, apesar da saída do seu partido, em um governo apodrecido pela corrupção. Peço aos militares que não tenham a fraqueza de atender a um governo que já acabou.”
  • Randolfe Rodrigues (Rede-AP), senador – “Manifestação, repressão, black blocks é polícia que resolve. Era a polícia que resolveria. Chamar as Forças Armadas num momento grave da vida nacional. Isso é um crime de lesa-pátria, isso sim é que é contra a Constituição.”
  • Renan Calheiros (PMDB-AL), senador e líder do PMDB no Senado – Atribuir a responsabilidade ao presidente da Câmara é um horror. Se esse governo não se sustenta, não serão as Forças Armadas que vão sustentar esse governo. Não dá para passar ao país a ideia de que o governo Temer vai dar certo por causa do Legislativo ou que vai dar errado porque o Legislativo não quer colaborar. O governo vai dar certo ou errado pelos seus gestos e não por causa do Legislativo.”
  • Romero Jucá (PMDB-RR), senador e presidente do PMDB – “Não adianta querer colocar ações do governo de forma distorcida. Presidente Temer tá chamando Forças Armadas pra se sustentar? Não, chamou Forças Armadas porque bando de marginais tava tocando fogo em ministérios. Nós agimos dentro da Constituição. E vamos continuar agindo. […] Incendiário é incendiário, bandido é bandido, black block é black block, tem que ser tratado com o rigor da lei, ainda mais na capital da República. […] o presidente Michel Temer cumpriu a lei e a Constituição, trabalhou pela segurança dos brasileiros e deu exemplo de coragem ao tomar uma decisão atendendo presidente da Câmara para fazer com que se dê ordem na capital da República.”
  • Tasso Jereissati (PSDB-CE), senador e presidente interino do PSDB – “Nós somos de uma geração que passou a adolescência em cima de um clima de ditadura militar, da quebra da Constituição, vivemos com euforia a redemocratização, a nova Constituinte e a questão da presença militar é sempre uma coisa que nos assusta. Então, nós ficamos assustados, preocupados com isso, mas, por outro lado, temos a informação que a polícia não estava dando conta do processo de depravação, de quebra-quebra, de prédios aparentemente incendiando. Então, em último caso, na emergência, que não pode se tornar uma rotina, é fundamental e necessário o Exército, mas isso tem que ser bastante discutido com o próprio presidente.”

Fonte: G1, Brasília