UM GRANDE DESCASO COM OS HERÓIS DA PÁTRIA, DIZ LÍDER DOS SOLDADOS DA BORRACHA SOBRE O FALSO MONUMENTO

Porto Velho, RONDÔNIA – Durante a semana, ninguém na Fundação Cultural deste município quis se manifestar a respeito do monumento em homenagem aos soldados da borracha e seringueiros da Amazônia, já cravado entre às Avenidas Nações Unidas e Amazonas, nesta Capital.

 

A Reportagem, desde que o assunto “viralizou” na mídia, esteve na pasta presidida pelo museólogo Antônio Ocampo por duas vezes na semana que passou. Mas não foi possível obter informações sobre o projeto da estátua construída – à revelia dos homenageados, nem mesmo a respeito de valores pagos – os soldados da borracha e seringueiros da Amazônia.

Até à sexta-feira passada (26), este site só obteve a confirmação de que “o prefeito irá inaugurar o monumento, mesmo a despeito dos protestos dos soldados da borracha e seringueiros convocados e recrutados no governo de Getúlio Vargas, ainda vivos e que não aceitam uma imagem à semelhança de um suposto gaúcho”.

 

O presidente do Sindicato do Sindicato dos Soldados da Borracha e Seringueiros da Amazônia (SINDSBOR), em Rondônia, o piauiense José Romão Grande, 96, natural da cidade de Parnaíba, reiterou, na sexta-feira 26, que “não aceitamos a falsa imagem desse monumento construída à revelia de nossa gente”. Indignado, reprovou a iniciativa por não ter consultado os mais interessados, os soldados da borracha e seringueiros.

 

Romão disse, ainda, que “o Ocampo, por já ter ocupado várias pastas e cargos na gestão pública, sobretudo da Cultura, Lazer e Museus, deve saber que os soldados da borracha e seringueiros têm uma categoria organizada com sede em Rondônia”.

 

Para o presidente do SINDSBOR, “por falta de semelhança, a estátua vem sendo objeto de pilhérias na cidade e em Brasília, onde temos sido homenageados na qualidade de Heróis da Pátria cujos nomes estão inscritos no Panteão da Pátria”, na Praça dos Três Poderes, no Distrito Federal.

 

– Nunc ví nada igual e o que se vê com essa falsa estátua, num lugar que funcionava um porto de encontro 24 horas, é o retrato de um verdadeiro descaso com a memória dos Heróis da Pátria já falecidos e ainda vivos, arrematou José Romão Grande.

 

A preocupação toma conta da mente da categoria, “por conta e risco desse mau exemplo dado pela Fundação Cultural”, revela o líder dos soldados da borracha e seringueiros nacionais, ao insistir meter nossa goela a baixo um verdadeiro monstrengo de ferro e concreto.

 

– Chega a desorientar-nos sobre qual o conceito a municipalidade teria a nosso respeito, reitera José Romão.

 

Segundo ele, “nem mesmo os mosquitos da malária nos humilharam tanto”, apesar das centenas de e, ora assassinados a mando dos patrões seringalistas.

 

Sentindo-se posto em verdadeiro descaso, do alto dos seus 96 anos de idade, José Romão Grande, confessou surpreendido com a atitude do presidente da Fundação Cultural e do prefeito por permitir tal projeto seguir na dianteira da história e da cultura seringueira da Amazônia.

 

Enfim, ele lembrou que na Grécia, Roma e Troia Antiga, “todos os homenageados passavam por um processo de pesquisa profunda sobre nomes, valores e do que haviam contribuído para engradece a Nação em viveram e moraram”.

 

Já em Porto Velho, aponta o combativo soldado da borracha e seringueiro do Piauí, “nossa história de vida e sofrimento, ao que parece está sendo joga no lixo e na lama pelo poder público, politico e por intelectuais que nada fazem para frear projetos dessa natureza”, finalizou o presidente do SINDSBOR.

 

 

*XICO NERY