Mesmo com todas as confusões, pode haver até nove na disputa pelo Governo

Sergio Pires

Mesmo com tudo o que está acontecendo, com confusões, gravação clandestinas, rompimento do Governador e seu Vice; mudanças de rumo, divisões, brigas; decisões judiciais que podem afastar concorrentes e toda a confusão que os rumos da disputa eleitoral que se avizinha, pouco mudou, na essência, na corrida sucessória rondoniense. Além de Daniel Pereira, que vai sim entrar na corrida ao Governo em qualquer circunstância, estão prontos para pegar a cadeira de Confúcio Moura vários outros nomes considerados entre os mais quentes em Rondônia. O senador e ex governador Ivo Cassol é um deles. Não há pesquisa em que ele não esteja à frente. É o preferido na grande maioria das cidades do interior. Ele depende ainda de decisões judiciais para poder entrar na disputa, embora seus partidários tenham convicção de que Cassol conseguirá entrar na briga. Caso Cassol eventualmente não concorra, a vaga será de Expedito Júnior, que é líder nas pesquisas ao Senado, mas que pode ir para a disputa do Governo, apoiado pelo grupo cassolista. Já Acir Gurgacz ainda quer ser candidato, mesmo depois da recente condenação. Ele se diz otimista de que o pleno do STF mudará a sentença da 1ª turma, o que iria liberá-lo para entrar na corrida. Há  outros quatro cotados, que estariam aptos a entrar na briga hoje. Maurão de Carvalho está nela há bastante tempo e seu nome vem crescendo em todas as regiões do Estado. Outro que vem aí, tentando surpreender, é o procurador do Ministério Público, Héverton Aguiar. O jovem Raduan Filho confirmou que estará na briga, pela Rede, partido de Marina Silva. Por fim, já anunciou que concorre também o representante do PSOL, Pimenta de Rondônia.

Neste pacote de possíveis candidatos, merece um capítulo especial o caso da deputada Mariana Carvalho. Ela foi indicada pelo PSDB nacional para concorrer à cadeira de Confúcio Moura. Sobre ela também está a mão do seu pai, o ex vice governador e ex deputado federal e hoje grande empresário da educação, Aparício Carvalho, que sonha em ver a filha comandando o Estado. Grande parte do tucanato estadual também quer que Mariana aceite a missão, considerando que suas chances seriam reais. Tudo parece conspirar para que ela entre mesmo na briga. Só tem um problemão: Mariana tem ou tinha até agora, ojeriza à ideia de disputar a sucessão de Confúcio Moura. Ela quer mesmo é buscar a reeleição, uma meta que poderia atingir com a perspectiva de repetir sua performance dos 60 mil votos de quatro anos atrás. A família quer, o partido quer, os amigos querem, muitos dos eleitores querem. Mas Mariana não quer. Será que conseguirão convencê-la? Hoje, com a possiblidade de termos nove possíveis candidatos na corrida, o quadro é esse. Mas pode mudar a qualquer momento…

ASSIM, A GENTE NÃO AGUENTA!

Obviamente, o assunto do momento continua sendo a sucessão estadual; a crise entre Confúcio Moura e Daniel Pereira e a gravação clandestina envolvendo os deputados Maurão de Carvalho e Jesuíno Boabaid, em que eles falam até em propor um processo de impeachment contra o Governador. Ou seja, nos últimos dias, na mídia, só coisa ruim, negativa, da baixa política, de uma campanha que começa cheirando mal e que só traz prejuízos a Rondônia e sua população. A política, enfim, acaba deslustrando a reta final de um grande governo realizado por Confúcio e sua turma, com o crescimento em todos os setores, bem acima dos níveis nacionais e com avanços consideráveis em praticamente todas as áreas. Tudo ia bem e as perspectivas eram as melhores. Estávamos nos tornando exemplo para o país em algumas áreas, como o agronegócio, que deu um salto espetacular. De uma hora para outra, tudo mudou. A disputa pelo poder pode ser corrosiva e extremamente negativa, caso não haja cuidados, respeito à população e um nível aceitável de debate e propostas. O que se espera é que esse quadro atual mude e a boa política passe a ser praticada. Porque do jeito que está, Rondônia não aguenta!

SEM SE CONSPURCAR

Obviamente que não se pode dar nomes à fonte, mas uma figura das mais respeitadas do Estado, que andava pensando em começar a participar do mundo político, recolheu os flaps. Acabou decidindo não compartilhar numa área em que, eventualmente, enfrenta-se alguns lamaçais, principalmente os de ordem moral. Depois dos últimos episódios que assistiu, de longe, envolvendo as questões da sucessão estadual em Rondônia, aí sim que ele chegou a conclusão que não tem estômago para viver neste mundo, que não só aqui, mas em todo o país, é tão cheio de obstáculos e, em muitos casos, de falta de moral e bons costumes. O caso do personagem que concluiu que fará muito melhor à sua vida, ficar longe da disputa eleitoral, claro que não é um fato isolado. Empresários, líderes comunitários, empreendedores, gente da melhor índole, ao colocar na balança os benefícios e os malefícios deste complexo mundo, preferem ficar distantes, bem longe, porque não suportariam conviver com as mazelas que quem ingressa nele tem que suportar. É algo lamentável, claro, mas real e registrado todos os dias. O pensamento dos que querem distância da disputa eleitoral é que quem não quer correr o risco de se conspurcar, fica o mais longe possível da política. Lamentável!

OAB PEDE ESCLARECIMENTOS

O caso da Assembleia Legislativa, relacionadas com a gravação clandestina de uma conversa entre deputados  e as questões que envolvem o Governo, foram mote de nota da OAB/RO, nesta quarta. Assinada pelo presidente Andrey Cavalcante, a nota diz que “a OAB vem a público conclamar a todos os envolvidos, tanto do Legislativo quanto do Executivo, a prestarem os esclarecimentos à sociedade rondoniense, corolário da transparência que reclama o princípio republicano, bem ainda aos órgãos de controle e fiscalização que apurem os fatos visando à responsabilização, fazendo-o nos limites do devido processo legal, assegurando o contraditório e a ampla defesa”. Diz ainda que “a gravidade dos fatos não se restringe ao conteúdo das gravações, mas também alcançam a forma com a qual foram realizadas. Não obstante mereça apuração parlamentar a suspeita de atos com falta ao decoro, também merece rígida investigação a suposta gravação ilegal”.  A nota da entidade termina conclamando “não apenas a sociedade, mas todos os poderes a exigir o esclarecimento dos fatos”.

É A LEI OU É CONTRA A LEI?

O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição. Ou era, até há pouco, quando decisões emanadas de ministros, principalmente aquelas pessoais, monocráticas, ao menos deixaram grandes dúvidas sobre o assunto. Recentemente, aconteceu o caso da nomeação presidencial da deputada federal Cristiane Brasil, para o Ministério do Trabalho, quando juízes de primeira instância, com aval posterior do STF, impediram que ela assumisse, mesmo confrontando claramente dispositivo constitucional, que diz que as nomeações de ministros são de exclusiva decisão e escolha pessoal do Presidente. Agora, outro caso complexo. O ministro Luis Roberto Barroso decidiu autorizar  quebra do sigilo bancário do Presidente Michel  Temer, confrontando claramente o artigo 86, parágrafo quarto, da Constituição, que diz que o Presidente da República só pode ser processado e investigado por suspeita de crimes cometidos durante seu mandato. O caso em que Temer é investigado é antigo, de muito antes de ele assumir o poder. O que estaria acontecendo? Ou a interpretação da Constituição pelos ministros, em suas decisões monocráticas, estão certas ou Suas Excelências decidiram mudar nossa maior lei, como se legisladores fossem. Tomara que não seja isso, porque senão estaremos correndo grandes riscos.

UPA SEM NENHUM MÉDICO

O prefeito Hildon Chaves esteve em Brasília e deve ter voltado na madrugada desta quinta-feira. Percorreu gabinetes, correu para todos os lados, foi a reuniões com a bancada federal e andou por  vários ministérios. Uma das principais visitas foi ao Ministério da Saúde, onde pediu liberação de recursos de emendas da bancada federal, para a compra de equipamentos e investimentos na estrutura municipal de saúde. Mas não adianta ter dinheiro, se o mínimo não é cumprido no dia a dia de trabalho, no atendimento à população. Como o que aconteceu na manhã desta quarta, na UPA  da Zona Sul, onde simplesmente não havia um só médico para atender a população. Denúncias encaminhadas à imprensa – e também a essa coluna – davam conta do desespero dos doentes chegando e sendo “recepcionados” com um comunicado avisando: “estamos sem médico pela parte da manhã”. Ao lado deste aviso funesto, parecendo gozar da cara dos doentes, uma relação com o nome de todos os médicos que deveriam estar de plantão. Uma vergonha. Por isso não adianta correr atrás de emenda, dinheiro, suprimentos, equipamentos. Se não houver respeito ao menos ao horário de trabalho e atendimento, nas unidades de saúde, todo o resto estará fadado ao fracasso. Unidade de saúde sem médico não serve para nada. Melhor fechar as portas…

CONFÚCIO VAI VOLTAR ATRÁS?

Experiente, profundo conhecedor da política local, Everton Leoni, apresentador do SIC News (SICTV/Record), um dos programas jornalísticos de maior audiência no Estado e líder dos Dinossauros (Rádio Parecis FM, segunda a sexta ao meio dia e na SICTV aos sábados, também meio dia), não tem duvida: Confúcio Moura ainda vai voltar atrás e concorrer ao Senado.  Everton tem repetido a afirmação, baseada mais no seu feeling do que na situação da política atual. Outros jornalistas, acostumados aos meandros da política rondoniense, também cantam a mesma música. O que se pode acrescentar é que Confúcio teria enorme chance de chegar a uma das duas cadeiras ao Senado, até pelo sucesso do seu governo e abrir mão disso, apenas por divergências com seu vice e sucessor, Daniel Pereira, seria uma renúncia enorme por motivação menor. A pressão eventual da Assembleia, mesmo que se houvesse, também não seria um motivo tão forte para tirá-lo da disputa. E o que acontecerá em relação ao final de governo? O poder ficará mesmo nas mãos do atual Govenador até o final do mandato. Ou pode ainda passar  para as de Daniel Pereira? Enfim, em breve se saberá o que realmente passa pela cabeça  de pouco cabelo e muita inteligência de Confúcio Moura.

PERGUNTINHA

Neste dia internacional da mulher, com mais de 4.400 homicídios no ano passado; com 12 mortes violentas por dia, será que elas têm alguma coisa a comemorar?

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